Quem é o responsável por partos de gêmeos? A fêmea ou o macho?

Para aumentar a produção de cordeiros e cabritos, é importante que tenhamos gêmeos no rebanho. Quanto mais cabritos e cordeiros nascerem, das mesmas mães, mais produtos teremos para vender… Isto é matemática. Se uma fêmea parir 2 ou 3 filhotes, maior é a minha produção sem a necessidade de aumentar o rebanho.

Mas para que o número de partos gemelares (nascimento de gêmeos) no rebanho seja grande, há dois fatores importantes: a genética e a nutrição.

A genética começa pela matriz (a fêmea): é ela que determina se, naquela parição, vai produzir 1, 2, 3 filhotes (ou mais). Alguns pensam que é o macho, mas é a fêmea a responsável pela ovulação, e ela é que vai determinar se terá 1 ou mais óvulos. O macho não afeta na produção diretamente (ele num salto, libera milhões de espermatozóides). Mas o carneiro e o bode são importantes, dentro do rebanho, para passar a “genética de gêmeos” para as filhas dele. Não afetam na produção atual, mas afetarão nas produções futuras.

Para aumentar o número de partos gemelares no rebanho, é importante selecionar além das ovelhas/cabras que pariram gêmeos, as filhas delas. Pois tem grande chance de carregarem essa “genética” de partos múltiplos. E utilizar reprodutores (machos) nascidos de parto duplo, pois tem grande chance de ter a genética e passar para as filhas…

A partir daí, a nutrição é que vai deixar a genética se expressar. Ou seja, não adianta ter a genética no rebanho se na hora da cobertura as fêmeas estiverem em baixas condições alimentares (baixa condição corporal).

Quer entender melhor como funciona? Dá uma olhada no vídeo:

Castrar ou não castrar, eis a questão…

Muitas são as dúvidas na criação de ovinos e caprinos. Uma delas é sobre o manejo com os machos, nos rebanhos comerciais: castrar ou não castrar os machinhos… Não existe regra nem o que é melhor ou pior, cada propriedade e sistema de produção vai definir se é melhor castrar ou deixar os animais inteiros (sem “capar”).

Nossa ideia é auxiliar na tomada de decisão, ou seja, ajudar a pensar se para o seu sistema o melhor é castrar ou não…

Se a ideia é abater/carnear o animal jovem, com até 6-7 meses (em algumas raças ou regiões, até um pouco mais tarde), não há necessidade de castrar. Mas se não tiver certeza que conseguirá até esse prazo, o ideal seria castrar já novinho.

Vários são os motivos que acabam fazendo com que os produtores castrem os machinhos:

  • facilita o manejo (dá para deixar junto das fêmeas, sem preocupação de emprenhar quem não deve);
  • às vezes a ideia é vender jovem, mas acontecem alguns problemas na criação e acaba atrasando o desenvolvimento. Se os machinhos estão inteiros podem já começar a puberdade e a “montar” uns nos outros, ficando agitados e impedindo que ganhem peso e depositem gordura de acabamento;
  • em raças com mais dificuldade de depositar gordura, castrar facilita a terminação (ter gordura subcutânea ideal para o abate – apesar da maioria não gostar de “graxa”, é importante a carcaça ter cobertura de gordura para que não fique azulada no resfriamento…). Afinal, ninguém quer comprar carne azul, certo? 😉

No vídeo a seguir, fizemos um esquema para auxiliar na decisão, com pontos importantes a avaliar.

Abrigo para os animais e redução na mortalidade de cordeiros e cabritos

A falta de abrigo para os animais é um dos motivos da alta mortalidade dos cordeiros e cabritos em regiões frias. Isto é fato! Você deve estar pensando “que bobagem, há anos atrás ninguém construía casa para as ovelhas e cabras e nem por isso morreram todas…” Digo isso a todo produtor que me pergunta se elas precisam de galpão. Não está entendendo?

Há anos atrás, os animais tinham abrigos naturais. Hoje, muitas propriedades não tem, ou as áreas que tem já não dá para colocar as ovelhas e cabras (roubo, predadores, etc). Com isso, em algumas regiões, com as fêmeas parindo em pleno inverno, há alta mortalidade dos filhotes, principalmente em dias chuvosos e com vento, se não há abrigos.

Sempre oriento a solucionar problemas com baixo custo. Vou mostrar a ideia de um pequeno produtor, com poucos recursos. A propriedade não tinha árvores (as que estão atrás na foto são do vizinho) e o produtor resolveu pegar uma lona de caminhão, dessas que “jogam” fora nos postos de combustível quando tem algum defeito, e fez um abrigo para as ovelhas dentro da mangueira.

Deixou de ter mortalidade perto de 40% , caindo para 10%. O produtor me contou que, no dia que montou, estava chuviscando e as ovelhas já estavam embaixo da lona enquanto ele terminava de montar.

Quem quer acha um jeito, quem não quer, acha uma desculpa…

Foi dizendo isso que mostrei a foto acima e contei a história numa palestra.

Qual não foi minha surpresa ao fazer uma consultoria em outro criador, ele comentar sobre a palestra e me mostrar isso:

Gostou da ideia, também conseguiu a lona num posto de combustível e com material que tinha na propriedade, fez o “abrigo”. Propriedade maior, mais animais, abrigo maior. Mas com a mesma simplicidade. Nem preciso dizer que os resultados com mortalidade também melhoraram.

Por favor, sem desculpas…

Raça Ile de France – papel da raça na ovinocultura, a mulher na ovinocultura e a Associação

No último vídeo da série Raças no Brasil – Ile de France, fizemos um resumo do que a raça traz de benefícios para a cadeia da ovinocultura.

Também temos a participação da mulher na atividade com o prêmio Cabanheira do Ano, instituído pala ABCIF – Associação Brasileira de Criadores de Ile de France.

Para finalizar, com a palavra, o presidente da ABCIF.

Agradecemos de coração a ABCIF por ter “comprado” a ideia e ao Rafael e Denise Paim e a família Maggi (José Otávio, Virgínia e Gabriel) pela disponibilidade e por fazerem nosso projeto virar realidade.

É apenas o início. Aguarde os próximos vídeos!

Uma boa mãe cuida do seu filhote

Já reparou o comportamento de uma mãe com seu filhote? Como ela cuida dele?

Além de parir (dar cria), ter leite suficiente para alimentar o filhote, uma boa mãe precisa ser cuidadosa, estar sempre atenta. Esse comportamento aumenta a sobrevivência da cria. Um cabrito ou cordeiro indefeso, sem a mãe por perto, além de poder se perder do rebanho (no caso de propriedades maiores), pode também servir de “refeição” para um predador.

 

No vídeo, é possível observar uma ovelha que deu cria há pouco tempo e, mesmo acompanhando o rebanho, caminha um pouco mas espera para ver se o cordeirinho está por perto.

É importante ficar atento ao comportamento dessa ovelha ou cabra, pois comportamento materno também é genético e pode ser selecionado (ou no caso, descartado por não cuidar da cria).

Claro que não é uma regra, até porque em alguns casos, como em rebanhos leiteiros, principalmente em caprinos onde é feito o controle do vírus da CAE (Artrite Encefalite Caprina), o cabrito já é separado da cabra após o nascimento. Outros fatores também podem fazer uma ovelha ou cabra abandonar o filhote: baixa condição corporal (estar muito magra), parto difícil e animal de primeira cria.

Podemos ter mais um critério para selecionar e assim melhorar nosso rebanho! 😉

Raça Ile de France – gene Vacaria e seu impacto na produção, dúvidas sobre a raça e o papel da ABCIF

No vídeo de hoje, falamos sobre o Gene Vacaria, que foi identificado pela Embrapa e que confere ao rebanho um número maior de partos múltiplos, aumentando a produção de cordeiros. Se bem trabalhado, pode gerar mais renda para o produtor, aumentando a produtividade.

Também tiramos dúvidas sobre a raça, como o fato de respeitar cercas, se tem ou não mais problemas de casco e se é uma raça rústica ou mais exigente. Confere no vídeo.

O que a ABCIF tem feito pelos associados e qual o benefício de fazer parte da “família Ile de France”.

O vídeo foi realizado em parceria com a ABCIF – Associação Brasileira de Criadores de Ile de France.

No próximo vídeo, falaremos sobre o papel da mulher na atividade e o que a raça Ile de France pode auxiliar na ovinocultura.  Acompanhe!

Raça Ile de France – pigmentação, qualidade da lã e cruzamentos

No terceiro vídeo da Série Raças no Brasil – ILE DE FRANCE, acompanhe mais sobre o padrão racial, como peso e cascos. Saiba também quais as vantagens do cruzamento com o Ile de France, a raça que tem uma das melhores qualidades de lã entre as raças de carne, além de ter uma época de parição mais prolongada, motivo pelo qual tem sido muito procurada para cruzamento em propriedades que trabalham com lavoura de soja (e tem pastagem de inverno no cedo, gerando melhor aproveitamento da mesma).

Tem dúvidas sobre o peso ao nascer dos cordeiros e se há problemas de trancar cordeiros no cruzamento com o Ile de France? Veja no vídeo muito mais informação sobre a raça.

O vídeo foi realizado em parceria com a ABCIF – Associação Brasileira de Criadores de Ile de France.

Nas próximas semanas, publicaremos os outros vídeos, onde falaremos sobre a descoberta do gene Vacaria, ligado a prolificidade e um pouco mais sobre o que a ABCIF está fazendo pela raça e pelos associados. Acompanhe!

Fique com o que é bom. Descarte o que não serve


É comum o descarte de animais somente pelos “dentes”, ou seja, descarte de fêmeas/ matrizes somente pela idade. A cada ano, o produtor seleciona as ovelhas ou cabras que ficarão no rebanho pelas mais novas, descartando as mais velhas. Isso é certo? É errado?

Sim e sim. É certo descartar animais com dentes muito gastos, pois terão dificuldades para se alimentar e produzir no próximo ano. E sim, não é recomendado selecionar o descarte SÓ pelos dentes.

Por que? Se usarmos somente os dentes como critério de seleção, nosso rebanho e nossa produção tende a permanecer igual, pois não selecionaremos os melhores para multiplicar e melhorar ainda mais a produção. E nem descartaremos os piores animais, e estes continuarão a ser multiplicados (permanecerão na cria) e não melhoraremos a produção. Ou seja, é perda de tempo e de dinheiro. Podemos ganhar mais se também selecionarmos nosso rebanho para produção.

No vídeo a seguir, usamos um modelo que utilizamos no Borregãonossa Consultoria em Pecuária (conheça nossos serviços –  www.borregao.com.br )