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Criação de Cordeiro tem Espaço para Cescer

É cada vez maior o consumo de carne de cordeiro no país. Como a oferta é menor do que a demanda, cresce, também, a importação. A professora da Escola de Veterinária da UFMG, especialista em caprinos e ovinos, e presidente da Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos do Estado de Minas Gerais (Asscomig), Aurora Gouveia, afirma que cerca de 70% dessa carne consumida no Brasil é importada do Uruguai, Chile, Argentina, Austrália e Nova Zelândia. Minas Gerais conta com 120 criadores cadastrados na entidade e, segundo dados do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), existem no Estado 2 mil criadores de ovinos e caprinos. Nesse número, estão incluídos a agricultura familiar e criadores exponenciais.

Segundo a presidente, a taxa de crescimento da população de ovinos no Estado foi, em média, 20%, de 2004 a 2007, enquanto em todo o país esse número não chegou a 4%. Mesmo com esse crescimento, ela garante que a carne importada significa apenas 9% do consumo formal brasileiro, de 86 mil toneladas anuais, lembrando que só o Estado de São Paulo consume cerca de 30 mil toneladas por ano.

Antes considerada atrativo de final de ano, a carne de ovinos é consumida no churrasco de final de semana, com o desafio de passar a integrar o cardápio do dia a dia, acredita a diretora da Distribuidora Cordeiro Mineiro, Cátia Regina de Jesus Lopes. Segundo ela, entre as opções, de carnes estão as de ovelha e carneiro (adultos) e o cordeiro (filhote). Esta última é a mais apreciada, pela maciez e sabor suave.

A demanda pela carne ovina concentra-se na de cordeiros. Para Cátia, quem tem o paladar exigente e quer fugir dos produtos tradicionais, frango, boi, porco e peixe, a carne de cordeiro destaca-se por seu alto valor nutritivo, sendo rica fonte de proteínas, vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e potássio. "Tem textura macia, sabor suave e é de fácil preparo".

De acordo com ela, o mercado mineiro tem sido abastecido com animais oriundos de sistemas de criação que passam por um rigoroso acompanhamento veterinário e abatidos em frigoríficos regulamentados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). "Só fornecemos carne de criadores com registros e animais em condições de abate, com peso vivo entre 30 e 40 quilos, com idade entre 150 a 180 dias. Na distribuidora, no Bairro Prado, em Belo Horizonte, a média de preços vai de R$ 12 (costelinha) a R$ 48 (lombo) o quilo.

O jornalista e ovinocultor Domingos Sávio observa que a criação de cordeiro é muito interessante, principalmente para o pequeno produtor. "A informação é a peça chave para o sucesso nesse empreendimento", destaca. A criação de cordeiros, segundo ele, é uma das mais promissoras atividades do agronegócio. Por ser de fácil manejo, a criação de ovinos não implica grandes investimentos. Pode-se começar em uma pequena área como opção para pequenos sitiantes e médios produtores. "Por ser um animal de pequeno porte, o cordeiro pode dividir o pasto com outras criações, principalmente a bovina. Meu terreno é de 20 hectares e, por outros motivos, não quero dividir o pasto com bois, por exemplo".

Por meio de pesquisas, ele apurou que o Brasil não produz 30% daquilo que consome de carne de ovinos. Esses dados comprovam o espaço que a ovinocultura ainda tem para crescer no Estado. "O mercado está completamente aberto. Todo mundo que tiver produto com qualidade vai conseguir vender. Sou um pequeno produtor. Se tivesse mais recursos, investiria mais nesse segmento".

Curto ciclo de produção é uma das vantagens

O preço da carne não é a única vantagem para quem trabalha com ovinocultura, afirma o produtor. Ele cita também o curto ciclo de produção entre nascimento e abate do animal. "Hoje, em 180 dias, conseguimos mandar o animal para o frigorífico". Ainda assim, segundo Sávio, atualmente, o problema é que a produção não acompanha a demanda.

Tenra, macia, com aroma irresistível e muito apreciado, a carne do cordeiro ganhou status e chegou aos restaurantes especializados de Belo Horizonte, como no Amigos do Rei, especializado em pratos finos: o guisado de pernil de cordeiro com abóbora e ameixa, o Khoresh-e Kadu-bo-alu; e o Halim Bademjam, feito com paleta de cordeiro pilada com lentilhas, berinjela e kashk, tempero milenar dos nômades. É servido com pão folha.

Usar a criatividade para acrescentar novos pratos ao menu do restaurante, segundo a proprietária, Nasrin Haddad Battaglin, é a novidade da vez. Ela garante que há mudanças nas receitas e que as combinações ficam perfeitas.

Normalmente, os restaurantes japoneses utilizam a carne de boi na robata (grelhado) ou no yakisoba. No Kei, o cordeiro na robata custa R$ 30. No Marilia Pizzeria, a carne de cordeiro incrementa duas receitas de pizzas: a L'Unica, pomodori pelati, leva mussarela, catupiry, ragu de cordeiro, abobrinha refogada, pimenta biquinho e raspas de limão; e Fettuccine de Ragu de Cordeiro. Segundo o proprietário da pizzaria, Gilson Judice, o consumo dessas pizzas foi aprovado pelos clientes e estão entre as 10 mais vendidas. Uma pizza de cordeiro com seis fatias é vendida a R$ 43, mesmo preço do Fettuccine.

A criação de ovelhas está em um grande momento de demanda de produção. Para as pessoas que quiserem entrar no setor, a Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos do Estado de Minas Gerais (Asscomig), oferece cursos duas vezes por ano. Mais informações no site: www.accomig.com.br

Fonte: Hoje em Dia (2010-07-20)

 
 
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